domingo, 17 de junho de 2012

Fußball


            Até muito recentemente o alemão não tinha muito orgulho em sua “alemãdade”. Por motivos óbvios, patriotismo e orgulho nacional não eram muito bem vistos por aqui. É um fato curioso que os alemães que emigram para outros países se adaptavam extremamente bem ao seu novo lar. Assim o alemão se tornou o espanhol perfeito, o italiano perfeito, o brasileiro perfeito e a Alemanha foi relegada aos alemães envergonhados.

            Recentemente esse quadro mudou. Algo que nós brasileiros temos em comum com os alemães: o futebol acendeu o orgulho nacional. Durante a copa de 2006, 60 anos depois do fim da segunda guerra mundial, a primeira geração nascida depois do fim da Guerra Fria, pôde ser vista pelas ruas do país, carregando bandeiras, com os rostos pintados, cantando o hino nacional, comemorando o seu país.

            Essa copa, sediada na Alemanha, conhecida pela violência de seu jogo final é menos conhecida pelo seu terceiro lugar, que foi para o país anfitrião. Algo que infelizmente não temos em comum com os alemães: aquele terceiro lugar foi comemorado por aqui como nós comemoraríamos um hexacampeonato. (Literalmente: as ruas da capital se encheram para honrar o time que ficou em terceiro...)

            Escrevo este Post por ocasião da Eurocopa. Na Alemanha, assim como no Brasil, futebol é uma categoria esportiva de grandíssima importância. Aqui também se assiste aos jogos da terceira divisão. Existem outras divisões, ainda menos importante do que a terceira, onde só jogam os times regionais, um por cidade. Estes jogos também são assistidos, as vitórias dos times comemoradas pelos jogadores e moradores das pequenas cidades.    
            Porém, o futebol não é a única categoria esportiva importante. O alemão é um fã nato. De canoagem, ginástica olímpica, vôlei, handebol e um jogo de cartas chamado Skat. Se for uma categoria esportiva organizada existe um alemão torcendo. E comemorando o seu time, mesmo na Regio-liga.  


Sem mais, torcendo na Alemanha....

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Avigrama

A mãe de uma amiga minha foi correspondente do JB na Alemanha durante muito tempo por duas razões: porque ela é jornalista e, mais importante, ela sabe falar alemão. O fato de alguém falar alemão por si só e digno de nota. Alemão é uma língua muito complicada. Mesmo falando alemão com a minha mãe em casa e na escola toda a minha vida, eu ainda não aprendi a língua de Goethe e Schiller. Mas eu faço digressões.
Do jeito que ela (a mãe da minha amiga) conta a história, depois da queda do muro, ela voltou para o Brasil, teve a minha amiga não quis voltar para a Alemanha. O pessoal no JB, sem saber muito bem o que começar com ela pensou: ela passou tempo na Alemanha. A Alemanha é um país conhecido por seus hábitos “verdes”. Porque não fazemos dela a editora do novo caderno ambiental?
Assim ela se tornou uma das ambientalistas mais famosas do Brasil. Até hoje, com o fim do JB, realizando outras coisas profissionalmente, ela ainda é convidada para conferências ambientais na Amazônia.
De qualquer maneira, eu conto toda essa história porque durante a minha viagem para Nürenberg, eu vi uma fazenda de eletricidade, nada incomum na Alemanha. Os desavisados se perguntam: “o que raios são fazendas de eletricidade?!” Os avisados querem saber se a fazenda era solar ou eólica. Aos segundos, era solar.
Aos primeiros, uma fazenda de eletricidade são pedaços de terra inutilizados ao lado dos trilhos de trem ou das Autobahnen onde são montados painéis solares ou moinhos de vento. Uma fazenda eólica também pode ser no meio de uma fazenda normal, não é raro ver um campo de trigo com vários moinhos de vento.
O mais interessante é, que na Alemanha a construção de painéis solares em casas particulares é incentivada com vantagens na hora de pagar impostos. Uma casa “energia zero”, ou seja, que produz toda a eletricidade e aquecimento necessários para se sustentar tem sua construção praticamente patrocinada pelo governo. Nessa mesma linha, casas são obrigadas a serem termicamente isoladas para poupar o máximo de energia e óleo possível durante o inverno. 
            Enfim, eu escrevo essa história porque quando me deparei com os campos de painéis solares, estava ouvindo Vinícius declamar um dos meus poemas preferidos no iPod. Em suma, no exílio (cof cof, missão diplomática, cof), assistindo dormir o seu filho, Vinícius chora de saudades de sua pátria, tão pobrinha. De qualquer maneira, é uma declaração de amor por um país que ele sabe ser imperfeito.
Naquele momento de acaso e oportunidade, serendipity, como dizem os Americanos, eu pensei como é injusto que um país tão pequeno e com tão poucos recursos naturais, se comparado ao Brasil, faça tão melhor proveito do que tem em mãos do que nós brasileiros. Como os alemães são tão mais ambientalmente conscientes exatamente porque têm tão pouco e porque a maioria foi destruída durante a Revolução Industrial e replantada depois da segunda guerra mundial. A diferença que faz ter em consciência a história de seu país e estar determinado a não cometer os mesmos erros e reparar o passado, algo que escapa à maioria brasileiros.
           E, finalmente, que apesar disso tudo, naquele momento, eu sentia uma tremenda saudade, não só de casa, como também do Brasil. Dos guardadores de carro da minha rua, da vendedora do armarinho, do cara do balcão de frios na padaria, do vendedor de mate na praia. Eu sentia falta do cheiro de sal no ar, da umidade e do calor. Eu senti falta de saber que um trem atrasado não é um desastre, não é nada de extraordinário, é só um trem atrasado. Não é preciso resmungar.
            Um momento que passou rápido e terminou com Miúcha cantando Pela Luz Dos Olhos Teus. O presente post serve para marcar a passagem daquele momento, que seja levada presto a mensagem: pátria minha, saudades de quem te ama, TW.