Então
em uma das cenas mais desnecessárias em uma das continuações mais supérfluas um
dos personagens mais pedantes da história do cinema explica ao personagem
principal que o problema é escolha. Em meio a todos esses superlativos, eu tendo
a concordar.
Eu
escolho ter um momento top dez por dia, todo dia, mesmo que eu passe um domingo
inteiro de pijama lendo um livro (em dias de gripe então esses domingos se
acumulam...). Em dias assim eu escolho pijamas infantis porque nenhum momento
top dez é completo sem o Donald, o Batman, o Woodstock ou o Wally. Usar camisetas
gráficas ajuda em dias de semana...
Eu escolho pudim
de chocolate porque o de baunilha é tão sem gracinha. Eu escolho carboidratos porque
macarrão é amor, macarrão é vida. Eu escolho Schorle porque adicionar sucos à
água carbonizada faz toda a diferença. Eu escolho batata. Eu escolho manteiga!
Eu escolho música
(a boa quanto a ruim) porque uma vida precisa de trilha sonora e se a vida pode
ser representada por um gráfico cartesiano de quatro coordenadas o ponto (0; 0;
0; 0) é Johann Sebastian Bach, que esse ano completa anos redondos: 330! Eu escolho
comparar traduções de livros. Eu escolho assistir séries com assassinos serias
no escuro. Eu escoho O Senhor dos Anéis.
Eu escolho a
nobre e muito antiga arte da procrastinação, caipirinhas sem açúcar e cervejas
geladas. Eu escolho ir à praia na beira do rio em vez de ir à praia na beira do
Atlântico. Eu escolho que reclamar da minha praia nova é completamente ok... No
verão eu escolho anti-histamínicos da primeira geração e baseball.
Eu escolho não me
maquiar para dormir dez minutos a mais. Eu escolho usar um perfume especial
para ocasiões cotidianas. Eu escolho frutas cítricas como sabor para o meu
xampu. Eu escolho capim limão para aromatizar a sala.
O mais importante
de todos esses eu aprendi recentemente. A visita me explicou que se apresentada
às opções “aloe vera” e “qualquer outra coisa que não aloe vera” na hora de
escolher um hidratante você deve sempre escolher “aloe vera”.

