quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Weihnachtsfeste


Hoje (ontem), dia 26, ainda é natal na Alemanha. Em München, Dortmund e Karlsruhe as pessoas estão aproveitando o dia enrolados em edredons considerando as sobras da ceia para o almoço de hoje. Na serra carioca eu estou aproveitando o sol e o calor na piscina e a minha mãe foi fazer as compras grandes na cidade. Hoje não é feriado no Brasil, as lojas abrem normalmente e mais tarde talvez eu vá cortar o cabelo.
As sobras da ceia provavelmente também serão aproveitadas no Rio. A rabanada, o brownie, a casa de chocolate, as nozes, o presunto e o Chester... às vezes eu tenho a impressão que as sobras da ceia de natal compõe as refeições na semana até o ano novo, até a nova ceia e suas respectivas sobras. Na Alemanha meus amigos se deliciarão com ganso, pato, bolo de nozes, biscoitos de gengibre e, ironicamente, tangerinas. Afinal de contas, devem-se comer coisas exóticas durante as festas de fim de ano.
Na verdade eu tinha uma frase perfeita para abrir o próximo parágrafo. O jeito como funciona esse blog é: de vez em quando, antes de dormir, a inspiração vem a mim e nasce um post novo e inteiro. Ontem me veio esse, mas o dia na piscina me distraiu e agora o post vai ficar assim, disjunto e desestruturado. Manter um blog é uma responsabilidade que eu não trato com a devida seriedade.
O ponto da questão é: no natal comemos muito, no ano novo comemos mais e prometemos comer menos no ano que vem, e, no final das contas, o que realmente engorda, são todas as sobras que comemos descontroladamente nos dias após a comemoração. Ou na cozinha durante a festa. Porque são raríssimas as festas que eu não termino discutindo causos e acausos com meus amigos na cozinha.
            O presente post eu termino comendo rabanadas de coco e leite condensado. Na varanda porque lá dentro tá muito quente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O espírito alemão


 Com a minha volta ao Brasil eu percebi com a Alemanha me germanizou em muito pouco tempo. Existem coisas "typisch deutsch" como comer Kraut e pão, assistir Tatort com seus amigos no domingo e planejar o seu dia antes de sair de casa. Tudo coisas que fiz, que (com exceção do Tatort) sempre fiz, então não hesitei em continuar fazendo. (Fonte dos hábitos alemães: http://venturevillage.eu/how-to-be-german-part-1)
O que estranhei é como eu agora tenho medo dos motoristas cariocas, pois dirigem muito mal. Como as coisas no Rio são caras, como tudo é atrasado e mal organizado. Como o Rio é quente. Como a cidade é barulhenta. Disso tudo eu já tinha noção antes, o contraste apenas realçou a percepção, entende?
Me surpreendeu a minha germânica aversão ao ar-condicionado, apesar do calor: como o ar fica seco e irritante às mucosas! Como o ar fica com um aroma desagradável e estranho de ar já respirado. Que zunido constante e desagradável produz a maldita máquina, como conseguirei dormir com esse barulho todo?
Eu estranhei quando na hora de contar, fiz um-dedão, dois-indicador, três-dedo do meio, quatro-anelar, como no filme do Quentin, sabe? Eu olhei para minha mão como se não fosse a minha, pois apenas alemães contam assim. Eu nunca tinha contado assim na vida! Aquilo não era de mim, era o espírito alemão baixando em mim.
O espírito alemão também me convenceu que no inverno eu só precisava lavar o cabelo a cada dois dias. Ele me ensinou a não jogar garrafa PET fora, a separar o lixo, a secar o cabelo, a usar casaco e a não andar descalça em casa. Hábitos que se mantêm no Rio, mesmo se alguns pareçam estranhos para o verão.
Demnächst: mais sobre o verão carioca. 
Derretendo e rezando por chuvas, até a próxima!