A Alemanha tem muitas coisas chatas. A maior cidade tem 2 milhões de habitantes
(pouco mais do que Copacabana), a minha tem 6 mil (pouco mais do que a minha rua). Quando eu digo que
eu sou do Rio as pessoas riem, perguntam quantos habitantes o Rio tem e dizem:
“E agora você está em Langensteinbach?!”. Sim, eu estou em Langensteinbach. Se
eu quiser comprar o meu desodorante preferido eu tenho que andar de S-Bahn
durante meia hora para ir ao dm de Karlsruhe.
Na Alemanha eu tenho que me contentar com o cheiro do aquário de água
salgada para matar as saudades do mar. Na Alemanha a água é dura. Na Alemanha o
pão é caro, a banana tem gosto de plástico e as tangerinas são
menores do que o punho de um bebê. Na Alemanha o leite condensado é difícil de
achar e tem consistência de leite, daí os brigadeiros custarem 8€ o quilo... Na
Alemanha não tem farofa.
Mas é muito chato morar na Alemanha e poder comer Bienenstichkuchen em
qualquer padaria. Eu me irrito profundamente com as duas lojas de Döner em
Langensteinbach. Eu acho desagradável pagar 85 cents por um saco grande de
Gummibärchen e nunca ter menos do que seis litros de Apfelschorle na despensa. É
obscena a variedade de comida que os alemães consideram fast food. Ora, em qualquer outro país um pão com queijo e presunto
é considerado normal! Eu acho errado pagar apenas 95 cents por 0,5L de Coca-Cola
e receber 15 cents de volta na ocasião da devolução da garrafa. Aliás, que
hábito pecuínho este dos alemães, de pagar a população para reciclar vidro,
papel e plástico.
É incomodo entrar em uma loja e sair com o guarda roupa renovado por
menos de 100 euros. É uma verdadeira surpresa encontrar roupas que caibam e
sejam do gosto da minha irmã. Chateia-me profundamente que Paris está a 30
Euros e uma viagem de trem de distância. Minto, 29,90€. Que enfadonho é ter de
lidar com tantos dialetos alemães. Uma curiosidade irritante da Alemanha é que
se eu trabalhar durante quatro noites seguidas eu posso passar os três dias
seguintes com o meu irmão, pois as leis trabalhistas impediriam que eu
trabalhasse durante mais horas naquela semana.
Realmente, para uma pessoa claustrofóbica, o fato de o meu irmão não
mais estar separado de mim por uma viagem de avião, deve ser o fato mais azucrinante
de todos.
Sem mais mau-humor, me despeço.






