quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Weihnachtsfeste


Hoje (ontem), dia 26, ainda é natal na Alemanha. Em München, Dortmund e Karlsruhe as pessoas estão aproveitando o dia enrolados em edredons considerando as sobras da ceia para o almoço de hoje. Na serra carioca eu estou aproveitando o sol e o calor na piscina e a minha mãe foi fazer as compras grandes na cidade. Hoje não é feriado no Brasil, as lojas abrem normalmente e mais tarde talvez eu vá cortar o cabelo.
As sobras da ceia provavelmente também serão aproveitadas no Rio. A rabanada, o brownie, a casa de chocolate, as nozes, o presunto e o Chester... às vezes eu tenho a impressão que as sobras da ceia de natal compõe as refeições na semana até o ano novo, até a nova ceia e suas respectivas sobras. Na Alemanha meus amigos se deliciarão com ganso, pato, bolo de nozes, biscoitos de gengibre e, ironicamente, tangerinas. Afinal de contas, devem-se comer coisas exóticas durante as festas de fim de ano.
Na verdade eu tinha uma frase perfeita para abrir o próximo parágrafo. O jeito como funciona esse blog é: de vez em quando, antes de dormir, a inspiração vem a mim e nasce um post novo e inteiro. Ontem me veio esse, mas o dia na piscina me distraiu e agora o post vai ficar assim, disjunto e desestruturado. Manter um blog é uma responsabilidade que eu não trato com a devida seriedade.
O ponto da questão é: no natal comemos muito, no ano novo comemos mais e prometemos comer menos no ano que vem, e, no final das contas, o que realmente engorda, são todas as sobras que comemos descontroladamente nos dias após a comemoração. Ou na cozinha durante a festa. Porque são raríssimas as festas que eu não termino discutindo causos e acausos com meus amigos na cozinha.
            O presente post eu termino comendo rabanadas de coco e leite condensado. Na varanda porque lá dentro tá muito quente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O espírito alemão


 Com a minha volta ao Brasil eu percebi com a Alemanha me germanizou em muito pouco tempo. Existem coisas "typisch deutsch" como comer Kraut e pão, assistir Tatort com seus amigos no domingo e planejar o seu dia antes de sair de casa. Tudo coisas que fiz, que (com exceção do Tatort) sempre fiz, então não hesitei em continuar fazendo. (Fonte dos hábitos alemães: http://venturevillage.eu/how-to-be-german-part-1)
O que estranhei é como eu agora tenho medo dos motoristas cariocas, pois dirigem muito mal. Como as coisas no Rio são caras, como tudo é atrasado e mal organizado. Como o Rio é quente. Como a cidade é barulhenta. Disso tudo eu já tinha noção antes, o contraste apenas realçou a percepção, entende?
Me surpreendeu a minha germânica aversão ao ar-condicionado, apesar do calor: como o ar fica seco e irritante às mucosas! Como o ar fica com um aroma desagradável e estranho de ar já respirado. Que zunido constante e desagradável produz a maldita máquina, como conseguirei dormir com esse barulho todo?
Eu estranhei quando na hora de contar, fiz um-dedão, dois-indicador, três-dedo do meio, quatro-anelar, como no filme do Quentin, sabe? Eu olhei para minha mão como se não fosse a minha, pois apenas alemães contam assim. Eu nunca tinha contado assim na vida! Aquilo não era de mim, era o espírito alemão baixando em mim.
O espírito alemão também me convenceu que no inverno eu só precisava lavar o cabelo a cada dois dias. Ele me ensinou a não jogar garrafa PET fora, a separar o lixo, a secar o cabelo, a usar casaco e a não andar descalça em casa. Hábitos que se mantêm no Rio, mesmo se alguns pareçam estranhos para o verão.
Demnächst: mais sobre o verão carioca. 
Derretendo e rezando por chuvas, até a próxima!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Kurzgeschichten IV: Feriados


Alguns estados alemães comemoram “Todos os Santos”, outros comemoram “Finados”. Nenhum estado comemora ambos e em ainda outros, nenhum dos dois é comemorado.
Em alguns estados existem férias de outono. Em muitos não. Alguns têm férias na páscoa, outros no carnaval, ainda outros em pentecostes. As férias de verão são diferentes em todos os estados, para não provocar transito de férias nas Autobahnen.  Entre o natal e o ano novo, todos têm férias de inverno.
São poucos os feriados nacionais na Alemanha. Natal, Ano Novo, Páscoa e o dia da união alemã. Eles não comemoram Independência, República, Zumbi, São Jorge e Sebastião nem Nossa Senhora Aparecida. Eles não comemoram nenhum santo. Aqui não existe dia do mestre, do bancário e nem do comerciário.
Eu acho que é por essa razão que tudo fecha no domingo, durante a semana tudo fecha às 17 horas, no sábado ainda mais cedo e quartas de tarde o ponto é praticamente facultativo em muitas lojas. Os alemães precisam descansar da falta de todos aqueles feriados!
Então lembre que em breve você comemorará república e zumbi e aproveite bem o seu fim de semana comprido.
Bom Feriado!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Kurzgeschichten III: Um Döner em Mannheim



O melhor Döner do mundo pode ser comprado na proximidade do Marktplatz de Mannheim (lê-se: mó-né-m), no bairro turco. Este Döner não é especial por causa da carne, bem temperada e suculenta, ou por causa da salada, fresca e crocante, nem por causa do molho, a perfeita combinação entre alho e pimenta.

Não, o que faz este Döner especial é o pão, uma massa absorvente de molho, macia e aerada com sabor de torrada. Aquele pão, crocante por fora e macio por dentro, compreende em uma pequena área circular tudo o que é justo e correto e bom no mundo.
Aquele pão é mágica, música e perfeição, ao seu alcance por apenas quatro euros.
Aquele pão é toda a prova que eu precisava que a dieta da proteína é algo errado e malévolo. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Herbst


A minha vida tem uma trilha sonora por vezes oferecida pelo iPod, outras pelos devaneios de uma mente despreocupada com a realidade do mundo. Ontem, caminhando na floresta, Lou Rawls achou justo me informar que o Papai Noel sabe se eu fui boa ou má, quando eu estou dormindo e que nesta época do ano ele está muito ocupado, então seria melhor se eu enviasse a minha carta para ele rapidamente. Logo depois Cássia Eller me lembrou de que as estações mudaram e que tudo estava assim tão diferente. (Caro leitor, não se desespere, o post não será dedicado às minhas excelentes playlists ou ao brilhantismo da função shuffle).
Duas músicas adequadas ao momento do ano, da vida, da espiritualidade, do humor, eu não sei. Só sei que eram adequadas, pois as estações realmente mudaram e o natal se aproxima. (Nota-se nas frases passadas uma certa atitude "Chicó" perante a vida...) Como o outono é um acontecimento mais próximo e ainda coberto pela purpurina de ser uma “descubrida” nova, dedico o seguinte post a ele.
O outono. Aparentemente a minha estação. A estação de vermelhos, amarelos e roxos quentes e vibrantes. Irônico, não é? Quando o clima volta a esfriar as folhas mudam de cor (algo que presenciei pela primeira vez na vida!) do verde, pelo amarelo, para os vermelhos, roxos e marrons que encontramos no chão formando morros de folhas que contrastam com o mar verde de grama. Lindo. 
Belíssimos dias de sol em que a temperatura não passa dos 20°C são os dias de colheita na Alemanha. Dias que passamos tomado chá quente e comendo sopas. De repente, em cada esquina há um vendedor de abóboras e batatas. Os galhos estão pesados pela preciosa carga de maçãs, peras e marmelos. Eu descubro as tentações de uma dieta predominantemente vegetariana, como o ano passou rápido, em quão pouco tempo eu verei a minha família, amigos e cidade de novo e, finalmente, após uma década de espera, assistirei o Hobbit no cinema.  
Também é a estação de despedidas. Nós nos despedimos do ano, das flores, do sol, do calor. Eu vou ter que me despedir da Station I2, dos amigos que fiz aqui, de Langensteinbach e de Karlsruhe. Eu posso dar adeus à minha vida simples e estruturada, à floresta no jardim do prédio, Döner, Apfelschorle, Gummibärchen, Schnitzel e Ritter Schokolade.

Como tudo na vida, a bela estação tem dois lados. Filosofia de botequim barata, porém não menos verdadeira. Mas, como o Menino Maluquinho já dizia: Cada lado tem seu lado, eu sou o meu próprio lado. Até a próxima!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Kurzgeschichten III: Spaghettieis


            Alemães são estranhos. Eles andam de sandália e meias. Eles dublam todos os filmes. Eles não se abraçam ou se beijam durante cumprimentos e despedidas. Eles têm orgulho do seu pequeno país, mas querem morar em outros países. O alemão típico não fala alemão, ele fala dialeto. E a coisa mais estranha que um alemão fez, foi inventar o espaguete de sorvete.
            Oh, doce luz da inspiração que trouxe para nós essa iguaria dos deuses! Sobre sorvete de baunilha passado por um espremedor de batatas para tomar a forma de espaguete repousa uma calda de morango quente coberta por raspas de chocolate branco ou coco ralado.

                                   Com fome na Alemanha, até a próxima!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Kurzgeschichten II: Paradoxos ou O Efeito das Teorias de Einstein Agindo Em Conjunto Com Eventos Meteorológicos Sobre A Moda


            Quando em Março o mercúrio nos termômetros voltou aos níveis positivos, eu assisti fascinada como os alemães calçaram suas bermudas e deixaram os seus casacos em casa em frígidos e gélidos 15°C. Nunca achei que minha brasilidade era tão óbvia como naqueles dias, em que eu ainda saia de casa vestindo casaco e xale e todos a minha volta já esperavam o verão.
            Qual não foi o meu espanto no fim de Setembro, quando nas mesmas gélidas e frígidas temperaturas entre 10 e 15°C, os alemães a minha volta sacaram de seus baús coletes, casacos e xales a espera do inverno. Cheguei a conclusão de que frio é uma coisa muito relativa e que eu, vindo de um país tropical, só sinto mais frio pois estou acostumada a temperaturas mais amenas.
            Com frio nos pés, até a próxima!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Oktoberfest


O dia 3 de Outubro, um dos poucos feriados oficiais da Alemanha, é o dia oficial da união da Alemanha. No dia 9 de novembro de 89 o muro caiu e quase um ano depois, no dia 3 de Outubro as duas Alemanhas se tornaram oficialmente uma Alemanha.
Neste feriado tão sério e importante eu escrevo sobre uma coisa menos séria, mas não menos importante. A mais popular e tradicional das festas alemãs está sendo comemorada em München até o final desta semana. O Oktoberfest, a festa que tornou Blumenau um ponto turístico, também torna München o destino preferido não só de alemães, mas também de turistas.
Conhecida pelas garçonetes capazes de carregar dez quilos de cerveja em dez dedos vestidas de Dirndl, os lugares disputadíssimos nas tendas e nos Biergärten, as bandinhas e as músicas de bebedeira, a Festwiese esse ano também recebeu quem vos escreve. 


Quatro anos após a minha primeira visita à München, voltei com o único propósito de visitar a mais alemã das comemorações. Durante o primeiro dia revivi as minhas primeiras memórias germânicas. Comi comidas típicas e frutas, apontava para toda e qualquer coisa e dizia: “essa foi a primeira coisa dessas que eu vi na Alemanha em 2008!” para a minha eterna felicidade e irritação de ambos os meus companheiros. Nunca precisarei duvidar da sinceridade de sua amizade após aquelas poucos minutos entre o Haubtbahnhof e o Marienplatz...
Talvez o chilli con carne que eu fiz (seguindo uma receita da minha irmã) para almoço tenha amolecido os seus corações em meu favor. Eu tive a sorte de só ter de arrumar e cozinhar em troca de um lugar no sofá, em vez de pagar os salgados preços cobrados pelos hotéis durante as festividades. 
Sábado de manhã, às cinco e meia da manhã, antes mesmo do sol nascer, prontamente (mas muito a contragosto), pulei da cama para ir comer salsichas, Bretzeln e Lebkuchen, andar em brinquedos e (o mais importante) tomar cerveja. O teto da tenda, de um azul celeste que desmentia a previsão de chuva até às 13 horas, cobria e envolvia em calor humano os ávidos fãs do suco de cevada. E, para minha felicidade, estes fãs organizavam competições de bebidas, brindavam ao som de músicas que cantavam afinadamente e as garçonetes se deixavam fotografar. Enfim, coisas boas e positivas para deixar feliz até o menos convencido fã de tradições Kitsch.

Frohe Einheit und ein Prosit!

sábado, 22 de setembro de 2012

Kurzgeschichten I: Karlsruhe


Existe em Karlsruhe um Museu chamado ZetKaEm. Muito bem curado e instalado em uma antiga fábrica de munição, este é um museu moderno e um do meu tipo preferido de museus. Ele é interativo. Então no terceiro andar, onde estão expostos computadores, você pode brincar com um Mac2, jogar Mário Brothers ou Pong e olhar dentro da primeira calculadora eletrônica (que era do tamanho de uma sala...). No segundo andar, visitantes são incentivados a tocar em diferentes tipos de plantas e no primeiro andar existe uma rua da música, um tambor que é um sino e uma cama que toca música. Do lado de fora existe a possibilidade de ouvir música produzida por jatos d’água batendo no seu guarda chuva.
Foi exatamente nesta parte do museu que eu vivi a minha grande aventura. Saltitante, feliz e serelepe, estava eu ouvindo o primeiro movimento da sexta sinfonia de Beethoven tocar no meu guarda-chuva quando uma mulata me pergunta se eu poderia tirar uma foto dela com sua amiga. Concordo de pronto ao bater da foto percebo que os botões tem nomes em português. Eu pergunto “Da onde você é?” esperando ouvir como resposta Algarves ou Lisboa, Porto se eu tiver sorte.
“Do Rio, e você?”
“Não brica! Eu também! Da onde no Rio?”
“De uma parte meio afastada” ela diz, e eu penso Caxias ou Nilópolis. “Maricá.” Ela termina. Eu dou um pulinho de satisfação, me lembro do meu professor de Álgebra II que morava em Maricá e respondo “Eu sou de Itaipu!”.
Nós nos abraçamos, tendo encontrado uma niteroiense do outro lado do atlântico, eu descubro que ela está o mestrado, que a sua amiga alemã não fala uma palavra de português e que ela atualmente é uma advogada em Recife, que recife é linda e que eu deveria fazer uma visita. Nós também concordamos que o verão alemão deixa a desejar em matéria de calor.
Moral da história: Niterói é um ovo e o mundo é um ovo ainda menor.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Allein in der Bude


Eu sou uma irmã gêmea. Durante toda a minha vida eu dividi um quarto. Até hoje eu não consigo dormir sozinha. O silêncio no quarto me incomoda, a falta audível de um segundo corpo, o ar parado, a falta de movimento. O silêncio das horas insones que provocam medo e provam tua solidão. O mesmo silêncio que é a sua resposta quando você deseja boa noite, ao seu irmão e lembra-se dos 400 km de distância quando o grunhido de resposta não vem.
O problema é que eu não passei muito da minha vida sozinha. Ao contrário da grandíssima parte da população, eu não nasci sozinha (haha Nietzsche), portanto eu não vivi sozinha (ditto). A primeira pessoa do plural me é mais próxima do que a do singular. Eu nunca tive que me enturmar porque eu nasci com uma companheira de brincadeira e ganhei mais um assim que eu me dei conta da necessidade de brinquedos. Eu nunca tive que iniciar amizades, todos os meus amigos lhe dirão que eles deram os primeiros passos em nossos relacionamentos. Eu só aprendi a falar por mim, com quatro anos de atraso, na Alemanha.

A beleza do ser humano é que ele sempre se adapta. Um pacote de macarrão dura uma semana agora, tudo bem. O leite é comprado de meio em meio litro, melhor, menos peso para carregar. Eu faço as minhas refeições, sozinha (o horror), eu sobrevivo. Eu respondo as minhas perguntas retóricas, legal, eu sempre tenho razão. O computador fica ligado 24 horas por dia tocando músicas ou O Senhor dos Anéis, eu percebi que não existe um limite de “coolness” para esses filmes.

            Que bom que eu aprendi a falar. Tarde demais para incluir meus colegas de turma na minha amizade com a irmã, mas cedo o suficiente para lidar com o fato de que o copo do lado da pia do banheiro nunca mais vai ter quatro escovas dentro.
          

           Vocalizando sozinha no quarto, até a próxima...

domingo, 17 de junho de 2012

Fußball


            Até muito recentemente o alemão não tinha muito orgulho em sua “alemãdade”. Por motivos óbvios, patriotismo e orgulho nacional não eram muito bem vistos por aqui. É um fato curioso que os alemães que emigram para outros países se adaptavam extremamente bem ao seu novo lar. Assim o alemão se tornou o espanhol perfeito, o italiano perfeito, o brasileiro perfeito e a Alemanha foi relegada aos alemães envergonhados.

            Recentemente esse quadro mudou. Algo que nós brasileiros temos em comum com os alemães: o futebol acendeu o orgulho nacional. Durante a copa de 2006, 60 anos depois do fim da segunda guerra mundial, a primeira geração nascida depois do fim da Guerra Fria, pôde ser vista pelas ruas do país, carregando bandeiras, com os rostos pintados, cantando o hino nacional, comemorando o seu país.

            Essa copa, sediada na Alemanha, conhecida pela violência de seu jogo final é menos conhecida pelo seu terceiro lugar, que foi para o país anfitrião. Algo que infelizmente não temos em comum com os alemães: aquele terceiro lugar foi comemorado por aqui como nós comemoraríamos um hexacampeonato. (Literalmente: as ruas da capital se encheram para honrar o time que ficou em terceiro...)

            Escrevo este Post por ocasião da Eurocopa. Na Alemanha, assim como no Brasil, futebol é uma categoria esportiva de grandíssima importância. Aqui também se assiste aos jogos da terceira divisão. Existem outras divisões, ainda menos importante do que a terceira, onde só jogam os times regionais, um por cidade. Estes jogos também são assistidos, as vitórias dos times comemoradas pelos jogadores e moradores das pequenas cidades.    
            Porém, o futebol não é a única categoria esportiva importante. O alemão é um fã nato. De canoagem, ginástica olímpica, vôlei, handebol e um jogo de cartas chamado Skat. Se for uma categoria esportiva organizada existe um alemão torcendo. E comemorando o seu time, mesmo na Regio-liga.  


Sem mais, torcendo na Alemanha....

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Avigrama

A mãe de uma amiga minha foi correspondente do JB na Alemanha durante muito tempo por duas razões: porque ela é jornalista e, mais importante, ela sabe falar alemão. O fato de alguém falar alemão por si só e digno de nota. Alemão é uma língua muito complicada. Mesmo falando alemão com a minha mãe em casa e na escola toda a minha vida, eu ainda não aprendi a língua de Goethe e Schiller. Mas eu faço digressões.
Do jeito que ela (a mãe da minha amiga) conta a história, depois da queda do muro, ela voltou para o Brasil, teve a minha amiga não quis voltar para a Alemanha. O pessoal no JB, sem saber muito bem o que começar com ela pensou: ela passou tempo na Alemanha. A Alemanha é um país conhecido por seus hábitos “verdes”. Porque não fazemos dela a editora do novo caderno ambiental?
Assim ela se tornou uma das ambientalistas mais famosas do Brasil. Até hoje, com o fim do JB, realizando outras coisas profissionalmente, ela ainda é convidada para conferências ambientais na Amazônia.
De qualquer maneira, eu conto toda essa história porque durante a minha viagem para Nürenberg, eu vi uma fazenda de eletricidade, nada incomum na Alemanha. Os desavisados se perguntam: “o que raios são fazendas de eletricidade?!” Os avisados querem saber se a fazenda era solar ou eólica. Aos segundos, era solar.
Aos primeiros, uma fazenda de eletricidade são pedaços de terra inutilizados ao lado dos trilhos de trem ou das Autobahnen onde são montados painéis solares ou moinhos de vento. Uma fazenda eólica também pode ser no meio de uma fazenda normal, não é raro ver um campo de trigo com vários moinhos de vento.
O mais interessante é, que na Alemanha a construção de painéis solares em casas particulares é incentivada com vantagens na hora de pagar impostos. Uma casa “energia zero”, ou seja, que produz toda a eletricidade e aquecimento necessários para se sustentar tem sua construção praticamente patrocinada pelo governo. Nessa mesma linha, casas são obrigadas a serem termicamente isoladas para poupar o máximo de energia e óleo possível durante o inverno. 
            Enfim, eu escrevo essa história porque quando me deparei com os campos de painéis solares, estava ouvindo Vinícius declamar um dos meus poemas preferidos no iPod. Em suma, no exílio (cof cof, missão diplomática, cof), assistindo dormir o seu filho, Vinícius chora de saudades de sua pátria, tão pobrinha. De qualquer maneira, é uma declaração de amor por um país que ele sabe ser imperfeito.
Naquele momento de acaso e oportunidade, serendipity, como dizem os Americanos, eu pensei como é injusto que um país tão pequeno e com tão poucos recursos naturais, se comparado ao Brasil, faça tão melhor proveito do que tem em mãos do que nós brasileiros. Como os alemães são tão mais ambientalmente conscientes exatamente porque têm tão pouco e porque a maioria foi destruída durante a Revolução Industrial e replantada depois da segunda guerra mundial. A diferença que faz ter em consciência a história de seu país e estar determinado a não cometer os mesmos erros e reparar o passado, algo que escapa à maioria brasileiros.
           E, finalmente, que apesar disso tudo, naquele momento, eu sentia uma tremenda saudade, não só de casa, como também do Brasil. Dos guardadores de carro da minha rua, da vendedora do armarinho, do cara do balcão de frios na padaria, do vendedor de mate na praia. Eu sentia falta do cheiro de sal no ar, da umidade e do calor. Eu senti falta de saber que um trem atrasado não é um desastre, não é nada de extraordinário, é só um trem atrasado. Não é preciso resmungar.
            Um momento que passou rápido e terminou com Miúcha cantando Pela Luz Dos Olhos Teus. O presente post serve para marcar a passagem daquele momento, que seja levada presto a mensagem: pátria minha, saudades de quem te ama, TW.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Morangos, primavera e desequilíbrios psíquicos


            Hoje eu estava assistindo Iron Man 2 e por causa disso eu acabei comendo meio quilo de morangos. Como um é consequência do outro é uma história complicada, mas engraçada. Importante é saber que se você vai ao campo colher essas fontes vermelhas de felicidade, você só paga pelas frutas no cesto, não necessariamente pelas frutas que você comeu durante a colheita. Meio quilo pode ser uma estimativa por demais conservadora.
Eu tenho certas falhas de caráter que até a mais rígida educação alemã não foi capaz de aniquilar. Uma delas é um traço levemente obsessivo que eu desenvolvo de quando em quando. Fruto deste traço é a minha capacidade de declamar de cor trechos de filmes e livros, o ciclo de Krebs e a tabela periódica, para profundo desgosto dos meus familiares e amigos e eterno orgulho do prof de bioquímica.
            Infelizmente as minhas obsessões nunca se estenderam a caminhos úteis como fórmulas físicas e matemáticas.  De qualquer maneira, quando decide fazer uma de suas (não) raras aparições, o meu comportamento obsessivo me força a agir de maneira inexplicável. Assim eu comecei uma coleção de livros do senhor dos Anéis nas três línguas que domino (pobre do meu bolso, quando eu aprender uma quarta...), aprendi trechos de Shakespeare, Tolkien, Goethe e Kafka de cor e hoje: comi 500 gramas de morangos.
            “Por que morangos?” se perguntarão alguns enquanto outros dirão “Já começou a época de morangos na Alemanha?”. As respostas são simples: Sim e porque Pepper Potts é alérgica a morangos e eu não.  
            Esta também não foi a primeira vez que eu caí de boca em uma quantidade absurda de comida. Da primeira vez que fui à München minha mãe presenteou a minha irmã a mim com um quilo de cerejas no Marienplatz, uma Eier-Lachs-Bagette na Nordsee, uma porção de Currywurst e um Schüler Döner em Augsburg. Pode parecer exagerado, mas era a primeira vez na minha vida que eu estava na Alemanha e eu queria provar as delícias da cozinha alemã. O mais e rápido possível. E de uma vez só. Danem-se as consequências. Um pouquinho de indigestão nunca matou ninguém...

            Com exceção da ocasional indigestão as minhas obsessões tem as suas vantagens. Eu posso dizer com orgulho que o meu passe anual para as piscinas públicas da região já se pagou. Eu conheço Karlsruhe e Ettlingen graças a alguns dias de passeios pelas cidades. Eu aprendi a lidar com a minha estranha bicicleta alemã que freia se eu pedalo para trás. Eu já sei o que eu vou fazer dia 14/12. Eu já comi tantos aspargos frescos com presunto que eu aprendi a cozinhar aspargos frescos e adicionei uma nova receita ao o meu limitado arsenal culinário. Viva a primavera!


                                 Sem mais fome  e com dedos vermelhos, até a próxima!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Divagações Gramaticais


            Minha mãe é professora de alemão, uma língua verdadeiramente mágica, se um pouco complicada, então, a maioria do que escrevo hoje, eu devo a ela. Minha mãe, não a língua alemã. E também porque comprei uma entrada anual para as piscinas públicas de Karlsbad, Waldbronn e Remchingen
            Em alemão existem três artigos, o masculino der, o feminino die e o terceiro das. Estes artigos são por sua vez declinados em quatro casos: o nominativo, o dativo, o acusativo e o genitivo, dependendo da situação em que o sujeito coloca o substantivo. Eu uso “sujeito” como pessoa, não necessariamente a função sintática da palavra, mas o sujeito pode ser o sujeito da oração...
            Para descobrir o caso de uma situação existem perguntas. Pense em Sherlock Holmes e nas perguntas que o nobre morador da Baker street 221b faz: quem? como? de quem? o quê? porquê? por quê? aonde? A resposta para tais perguntas se encontra nos casos. Cada pergunta corresponde a um e somente um (com certas exceções que não serão discutidas agora...) caso. 
Para as declinações dos artigos existe uma tabela onde um sujeito pode cruzar o artigo e o gênero e resultar com a declinação correta para a frase. A maioria das pessoas que aprende alemão decora essa tabela por partes, primeiro o dativo, depois o acusativo. O genitivo, infelizmente, está caindo em desuso...
Um sujeito que fala alemão do berço descobre que existe uma tabela com mais de dez anos. Nessa altura do campeonato essa pobre alma já declina os artigos intuitivamente. Um professor de alemão que indague pela razão que tal sujeito tenha aplicado uma declinação será surpreendido pela resposta. O sujeito dirá que a aplicação da declinação se deu, pois Deus assim o quis (já me aconteceu...) ou porque o sujeito sempre usou aquela declinação para aquele tipo de situação. Assim, uma pessoa que aprendeu alemão como língua estrangeira pode ser reconhecido por falantes nativos: declinações perfeitas. Ainda está para nascer o alemão que sabe declinar corretamente, Goethe que me perdoe.
De qualquer maneira, a declinação não costuma ser o problema. O mais difícil sempre foi e sempre será: descobrir o artigo. Não porque os artigos são mais do que estamos acostumados. Normalmente o artigo também é definido por feeling. Algumas coisas simplesmente não soam bem quando ditas em voz alta com o artigo incorreto.
            Este não é o caso de Freibad (banho livre, literalmente ou piscina pública, para os normais). Para ser sincera, enquanto eu escrevo este post, com acesso a um dicionário, eu ainda não descobri se Bad é der ou das. O que poderia ser um problema na hora da compra da entrada anual para as piscinas públicas da região. 



                 Porém como todo bom estudante da língua alemã sabe, não existem limites para as maravilhas apresentadas como soluções para esse problema. Uma palavra alemã pode ser constituída de vários substantivos e verbos substantivados justapostos. Uma frase em alemão pode ser composta por tantas orações, que ela é do tamanho de uma página, e ainda assim é inteligível. Assim nascem horrores como "Donaudampfschiffahrtgesellschaftelektrizitäthauptbetriebswerkbauunterbeamtengesellschaft" , trabalhos de Kant e os meus parágrafos compostos por ou uma frase muito longa ou vinte frases nominais e curtas. 

 O meu dilema foi muito rapidamente resolvido. Eu simplesmente juntei as duas palavras que tinha em mãos, Freibad e Jahreskarte, e formei Freibadjahreskarte, cujo artigo definitivamente é die pois, aqui segue uma das poucas regras gramaticais alemãs que eu conheço, todas as palavras que terminam em E são femininas. Com poucas exceções (Name, Schnee, Buchstabe). Porque toda regra gramatical alemã tem exceções. Assim é possível que eu escrevo esse blog em um computador, que pode ser der ou das, enquanto como um pão (das Brot, weil das Boot) com nutella (der/die/das nutella).

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Chuva

Quando chove no Brasil você sabe com dois dias de antecedência. O tempo fecha, as nuvens estacionam pretas e pesadas de água. A humidade do ar aumenta tanto que respirar se torna difícil. A variação na pressão barométrica causa dores de cabeça baroreflexas. Você acorda de manhã e pensa: “Hoje vai chover, não vale a pena sair da cama.”. A previsão do tempo na maioria das vezes é correta, previsível e, o mais importante, confiável.
Na Alemanha a coisa não é bem assim. Quando chove na Alemanha você sabe quando já é tarde demais e você já saiu de casa sem guarda-chuva, com o tênis branco e óculos de sol.

Hoje, por exemplo, eu estava lendo o meu livro embaixo de uma árvore, a minha árvore, a árvore na floresta com um banco perfeito para eu me deitar e produzir Vitamina D e fixar cálcio (para os leigos: pegar sol). Lá estava eu contente, porque no livro o universo é criado por música e eu sei que a expansão do universo real cria um som que baleias classificariam como música, e começa a chover. Um minuto o céu estava azul e claro e no seguinte eu estava no meio de uma tempestade.

Em situações como essa você descobre várias coisas. O meu tênis a prova de neve, também é a prova de chuva, infelizmente ele não resistiu aos poderes umidificantes de uma poça. O casaco vermelho que eu ganhei de natal é surpreendentemente repelente à água. Uma floresta na chuva tem o mesmo cheiro que uma cidade na chuva. O molho agridoce do restaurante chinês de Langensteinbach é surpreendentemente picante. Langensteinbach tem um restaurante chinês, com um dono tailandês que é casado com uma turca...

A chuva primaveril não durou muito. Chegou e passou em menos de uma hora. Exatamente o tempo que eu precisava para chegar ao restaurante, fazer o meu pedido, comer metade da porção enorme, pedir uma quentinha e descobrir mais um simpático habitante de Langensteinbach. E que no futuro próximo irei gastar uma fortuna tentando descobrir o meu item preferido do cardápio do Asian Wok.


Ah sim! O meu nome na porta do quarto agora está propriamente apresentado.


terça-feira, 3 de abril de 2012

That moment

Quando você viaja durante os seus três dias de folga, visita dois amigos em duas cidades diferentes enquanto a sua própria cidade está há duas horas, no trem atrasado, de distância.

Quando você prepara a sua primeira refeição sem supervisão da sua mãe ou irmã. E não só não queima a dita cuja como ela fica boa...
Quando você faz encomendas pela internet e elas chegam em menos tempo do que esperado. Quando o correio funciona, quando você sabe quando o carteiro vai aparecer, qual o nome dele, da mulher e dos filhos. Quando você encontra o seu carteiro no caminho para a Dönerbude.


Quando uma viagem para o outro lado do país é considerada longa porque dura um pouco mais do que cinco horas. Quando você recebe uma ligação de um número desconhecido e responde o telefone com o seu sobrenome em vez de “alô?”. Quando o toque de celular mais comum à sua volta é Nokia Tune. Quando o seu toque não é Nokia Tune e todo mundo te olha estranho no trem.

Quando as cerejeiras do outro lado do deque estão em flor. Quando você acorda por causa do barulho dos pássaros do lado de fora do seu quarto. Quando você encontra o banco perfeito para ler na floresta. Quando essa mesma floresta passa de marrom e cinza para verde e cheia de esquilos. Quando o sol só se põe depois das oito. No futuro, quando o sol só vai se por as nove.
Quando você usa havaianas fora de casa pela primeira vez e morre de frio nos pés. Quando você passa a converter todo aquele cálcio consumido com a água com os primeiros raios UV do ano. Quando o céu está azul e o mercúrio não passa dos 20° nos termômetros. Quando o céu azul combina com a música no seu Ipod. Quando o seu editor de texto não reconhece a palavra “Ipod”.


Quando a paciente do quarto 20 te pergunta: “Porque você usa o anel de noivado no indicador?”. Quando o paciente do quarto 38 sabe que você não usa um anel de noivado no indicador, assiste Harry Potter em BluRay no computador e te mostra um comercial de Star Wars. Quando o filho adolescente de uma enfermeira no hospital te dá o jornalzinho bimestral dos tolkenianos alemães. Quando você redescobre a perfeição que é a vida dos Hobbits.  Quando a sua porta é verde, mas não é redonda.



                              Quando a ficha cai que você está na Alemanha. 

sábado, 10 de março de 2012

Preguiça


Hoje, por razões óbvias, escrevo apenas poucos e curtos parágrafos.
Eu nunca me considerei uma pessoa preguiçosa. Não que o ócio não era cultuado lá em casa, mas só em dias muito quentes, ocasiões especiais, semana de provas e nas férias.
Infelizmente, no curto tempo que passei na Alemanha aprendi: eu sou preguiçosa. O que me mantinha ativa era a falta de coisas para fazer. Eu não tinha que fazer compras, jogar o lixo fora, ir ao chaveiro, cozinhar as minhas refeições. Eu só tinha que lavar a louça e arrumar o quarto...
Agora, incumbida de tantas obrigações, eu percebo a minha preguiça pela primeira vez. Em minha opinião ela é justificável. Quem em sã consciência sairia da cama quentinha se a temperatura externa varia entre dez graus negativos e zero? Nunca mais reclamarei de ter de acordar cedo e com frio no inverno brasileiro. Agora eu sei que em alguns países 18°C é considerado quente, praticamente um convite para usar shorts, ir à piscina, comemorar a chegada do verão.
Também, em uma cidade com pouco mais de seis mil habitantes não se encontra um supermercado em cada esquina. Para fazer compras eu tenho que pegar o trem, que aqui na zona rural só passa a cada meia hora. Os supermercados (são três) ficam concentrados em uma pequena área no limite de Langensteinbach. A estação é nova, foi inaugurada em Novembro e para mostrar a pequenez do local o trem só para se houver necessidade. A mulher do metrô fala: „Nächster Halt: Langensteinbach-Schießhüttenäcker, der Zug hält nur bei Bedarf!“


                                  Sem mais desculpas esfarrapadas, até a próxima!


domingo, 4 de março de 2012

Meu encontro com a bibliotecária



           

 Leitores assíduos do presente blog já devem saber que Langensteinbach, apesar de ser o centro de Karlsbad, não é exatamente uma cidade luz entre as grandes metrópoles alemãs. Até leitores não assíduos, pessoas com o mínimo conhecimento de geografia ou da Alemanha sabem que Langensteinbach não pode ser considerada nada mais do que um vilarejo grande.

Eu já tinha conhecimento deste fato antes mesmo de me mudar para cá. Uma das razões que eu escolhi esse buraco no mundo para passar um ano na Alemanha foi o fato de ele ser o mais diferente (entre as possibilidades oferecidas) do Rio. Ainda assim, quando fui alugar um livro pela primeira vez na biblioteca me surpreendi com a pequenez da cidade.

Quando eu me registrei na biblioteca eu tive que apresentar um documento de identidade. Não tendo nada melhor em mãos, tive de apresentar o meu passaporte brasileiro à bibliotecária que me deu o cartão da biblioteca de Karlsbad. Uma segunda bibliotecária por acaso ouviu que eu só podia apresentar o meu passaporte brasileiro. Até aí tudo bem.


Ao pegar o meu novo cartão de biblioteca e alugar dois livros a bibliotecária começa a conversar comigo. Ela me pergunta se eu venho do Brasil, como pode que eu falo alemão tão bem, como eu estou me adaptando ao frio (ela acha que o inverno está até quente, eu concordo,eu vi pouca neve...), e se eu sei onde é a Costa Rica (sua filha está fazendo um ano de trabalho voluntário lá). (Sim, eu sei onde é a Costa Rica. Não, a Costa Rica não é na América do Sul...)

Ela prossegue a me contar que nós temos uma brasileira morando em Langensteinbach. A tal brasileira veio passar uma ano na Alemanha como babá de uma família, conheceu o atual marido, se apaixonou e se casou e nunca mais foi embora. Ela me diz o nome completo da mulher, quantos filhos ela tem e em que cidade no Rio Grande do Sul ela nasceu. A bibliotecária me diz que da próxima vez que ela encontrar a brasileira ela vai a perguntar se pode me passar o seu endereço. Eu prontamente lhe concedo permissão para repassar o meu endereço a gaúcha de Langensteinbach.

A história inteira me intrigou um pouco então eu perguntei à bibliotecária, se por acaso ela não era vizinha dessa brasileira ou se o marido da gaúcha era um familiar dela. Tudo em vão, a única relação existente entre as duas era a de leitora e bibliotecária (que nem mora em Langensteinbach, ela mora em uma cidade vizinha).

                                      Em breve, mais notícias do fim do mundo...