quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Herbst


A minha vida tem uma trilha sonora por vezes oferecida pelo iPod, outras pelos devaneios de uma mente despreocupada com a realidade do mundo. Ontem, caminhando na floresta, Lou Rawls achou justo me informar que o Papai Noel sabe se eu fui boa ou má, quando eu estou dormindo e que nesta época do ano ele está muito ocupado, então seria melhor se eu enviasse a minha carta para ele rapidamente. Logo depois Cássia Eller me lembrou de que as estações mudaram e que tudo estava assim tão diferente. (Caro leitor, não se desespere, o post não será dedicado às minhas excelentes playlists ou ao brilhantismo da função shuffle).
Duas músicas adequadas ao momento do ano, da vida, da espiritualidade, do humor, eu não sei. Só sei que eram adequadas, pois as estações realmente mudaram e o natal se aproxima. (Nota-se nas frases passadas uma certa atitude "Chicó" perante a vida...) Como o outono é um acontecimento mais próximo e ainda coberto pela purpurina de ser uma “descubrida” nova, dedico o seguinte post a ele.
O outono. Aparentemente a minha estação. A estação de vermelhos, amarelos e roxos quentes e vibrantes. Irônico, não é? Quando o clima volta a esfriar as folhas mudam de cor (algo que presenciei pela primeira vez na vida!) do verde, pelo amarelo, para os vermelhos, roxos e marrons que encontramos no chão formando morros de folhas que contrastam com o mar verde de grama. Lindo. 
Belíssimos dias de sol em que a temperatura não passa dos 20°C são os dias de colheita na Alemanha. Dias que passamos tomado chá quente e comendo sopas. De repente, em cada esquina há um vendedor de abóboras e batatas. Os galhos estão pesados pela preciosa carga de maçãs, peras e marmelos. Eu descubro as tentações de uma dieta predominantemente vegetariana, como o ano passou rápido, em quão pouco tempo eu verei a minha família, amigos e cidade de novo e, finalmente, após uma década de espera, assistirei o Hobbit no cinema.  
Também é a estação de despedidas. Nós nos despedimos do ano, das flores, do sol, do calor. Eu vou ter que me despedir da Station I2, dos amigos que fiz aqui, de Langensteinbach e de Karlsruhe. Eu posso dar adeus à minha vida simples e estruturada, à floresta no jardim do prédio, Döner, Apfelschorle, Gummibärchen, Schnitzel e Ritter Schokolade.

Como tudo na vida, a bela estação tem dois lados. Filosofia de botequim barata, porém não menos verdadeira. Mas, como o Menino Maluquinho já dizia: Cada lado tem seu lado, eu sou o meu próprio lado. Até a próxima!

Um comentário:

  1. Luiz, Bob, Bobby, Luiz Roberto...ou oque preferir!qua. out. 24, 07:01:00 PM GMT+2

    Vale dizer que eu to sentimental! Mas quase chorei com o post todo, especialmente: "Cada lado tem seu lado, eu sou meu próprio lado...posso viver ao lado do seu lado que eram meu." Menino maluquinho foi a minha infância!

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