A minha vida tem uma trilha sonora por vezes
oferecida pelo iPod, outras pelos devaneios de uma mente despreocupada com a
realidade do mundo. Ontem, caminhando na floresta, Lou Rawls achou justo me
informar que o Papai Noel sabe se eu fui boa ou má, quando eu estou dormindo e
que nesta época do ano ele está muito ocupado, então seria melhor se eu enviasse
a minha carta para ele rapidamente. Logo depois Cássia Eller me lembrou de que
as estações mudaram e que tudo estava assim tão diferente. (Caro leitor, não se
desespere, o post não será dedicado às minhas excelentes playlists ou ao
brilhantismo da função shuffle).

Duas músicas adequadas ao momento do ano, da
vida, da espiritualidade, do humor, eu não sei. Só sei que eram adequadas, pois
as estações realmente mudaram e o natal se aproxima. (Nota-se nas frases passadas uma certa atitude "Chicó" perante a vida...) Como o outono é um acontecimento
mais próximo e ainda coberto pela purpurina de ser uma “descubrida” nova,
dedico o seguinte post a ele.
O outono. Aparentemente a minha estação. A
estação de vermelhos, amarelos e roxos quentes e vibrantes. Irônico, não é?
Quando o clima volta a esfriar as folhas mudam de cor (algo que presenciei pela
primeira vez na vida!) do verde, pelo amarelo, para os vermelhos, roxos e
marrons que encontramos no chão formando morros de folhas que contrastam com o
mar verde de grama. Lindo.

Belíssimos dias de sol em que a temperatura
não passa dos 20°C são os dias de colheita na Alemanha. Dias que passamos
tomado chá quente e comendo sopas. De repente, em cada esquina há um vendedor
de abóboras e batatas. Os galhos estão pesados pela preciosa carga de maçãs, peras
e marmelos. Eu descubro as tentações de uma dieta predominantemente
vegetariana, como o ano passou rápido, em quão pouco tempo eu verei a minha
família, amigos e cidade de novo e, finalmente, após uma década de espera,
assistirei o Hobbit no cinema.

Também é a estação de despedidas. Nós nos
despedimos do ano, das flores, do sol, do calor. Eu vou ter que me despedir da
Station I2, dos amigos que fiz aqui, de Langensteinbach e de Karlsruhe. Eu
posso dar adeus à minha vida simples e estruturada, à floresta no jardim do
prédio, Döner, Apfelschorle, Gummibärchen, Schnitzel e Ritter Schokolade.
Como tudo na vida, a bela estação tem dois
lados. Filosofia de botequim barata, porém não menos verdadeira. Mas, como o
Menino Maluquinho já dizia: Cada lado tem seu lado, eu sou o meu próprio lado. Até
a próxima!