quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Kurzgeschichten III: Um Döner em Mannheim



O melhor Döner do mundo pode ser comprado na proximidade do Marktplatz de Mannheim (lê-se: mó-né-m), no bairro turco. Este Döner não é especial por causa da carne, bem temperada e suculenta, ou por causa da salada, fresca e crocante, nem por causa do molho, a perfeita combinação entre alho e pimenta.

Não, o que faz este Döner especial é o pão, uma massa absorvente de molho, macia e aerada com sabor de torrada. Aquele pão, crocante por fora e macio por dentro, compreende em uma pequena área circular tudo o que é justo e correto e bom no mundo.
Aquele pão é mágica, música e perfeição, ao seu alcance por apenas quatro euros.
Aquele pão é toda a prova que eu precisava que a dieta da proteína é algo errado e malévolo. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Herbst


A minha vida tem uma trilha sonora por vezes oferecida pelo iPod, outras pelos devaneios de uma mente despreocupada com a realidade do mundo. Ontem, caminhando na floresta, Lou Rawls achou justo me informar que o Papai Noel sabe se eu fui boa ou má, quando eu estou dormindo e que nesta época do ano ele está muito ocupado, então seria melhor se eu enviasse a minha carta para ele rapidamente. Logo depois Cássia Eller me lembrou de que as estações mudaram e que tudo estava assim tão diferente. (Caro leitor, não se desespere, o post não será dedicado às minhas excelentes playlists ou ao brilhantismo da função shuffle).
Duas músicas adequadas ao momento do ano, da vida, da espiritualidade, do humor, eu não sei. Só sei que eram adequadas, pois as estações realmente mudaram e o natal se aproxima. (Nota-se nas frases passadas uma certa atitude "Chicó" perante a vida...) Como o outono é um acontecimento mais próximo e ainda coberto pela purpurina de ser uma “descubrida” nova, dedico o seguinte post a ele.
O outono. Aparentemente a minha estação. A estação de vermelhos, amarelos e roxos quentes e vibrantes. Irônico, não é? Quando o clima volta a esfriar as folhas mudam de cor (algo que presenciei pela primeira vez na vida!) do verde, pelo amarelo, para os vermelhos, roxos e marrons que encontramos no chão formando morros de folhas que contrastam com o mar verde de grama. Lindo. 
Belíssimos dias de sol em que a temperatura não passa dos 20°C são os dias de colheita na Alemanha. Dias que passamos tomado chá quente e comendo sopas. De repente, em cada esquina há um vendedor de abóboras e batatas. Os galhos estão pesados pela preciosa carga de maçãs, peras e marmelos. Eu descubro as tentações de uma dieta predominantemente vegetariana, como o ano passou rápido, em quão pouco tempo eu verei a minha família, amigos e cidade de novo e, finalmente, após uma década de espera, assistirei o Hobbit no cinema.  
Também é a estação de despedidas. Nós nos despedimos do ano, das flores, do sol, do calor. Eu vou ter que me despedir da Station I2, dos amigos que fiz aqui, de Langensteinbach e de Karlsruhe. Eu posso dar adeus à minha vida simples e estruturada, à floresta no jardim do prédio, Döner, Apfelschorle, Gummibärchen, Schnitzel e Ritter Schokolade.

Como tudo na vida, a bela estação tem dois lados. Filosofia de botequim barata, porém não menos verdadeira. Mas, como o Menino Maluquinho já dizia: Cada lado tem seu lado, eu sou o meu próprio lado. Até a próxima!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Kurzgeschichten III: Spaghettieis


            Alemães são estranhos. Eles andam de sandália e meias. Eles dublam todos os filmes. Eles não se abraçam ou se beijam durante cumprimentos e despedidas. Eles têm orgulho do seu pequeno país, mas querem morar em outros países. O alemão típico não fala alemão, ele fala dialeto. E a coisa mais estranha que um alemão fez, foi inventar o espaguete de sorvete.
            Oh, doce luz da inspiração que trouxe para nós essa iguaria dos deuses! Sobre sorvete de baunilha passado por um espremedor de batatas para tomar a forma de espaguete repousa uma calda de morango quente coberta por raspas de chocolate branco ou coco ralado.

                                   Com fome na Alemanha, até a próxima!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Kurzgeschichten II: Paradoxos ou O Efeito das Teorias de Einstein Agindo Em Conjunto Com Eventos Meteorológicos Sobre A Moda


            Quando em Março o mercúrio nos termômetros voltou aos níveis positivos, eu assisti fascinada como os alemães calçaram suas bermudas e deixaram os seus casacos em casa em frígidos e gélidos 15°C. Nunca achei que minha brasilidade era tão óbvia como naqueles dias, em que eu ainda saia de casa vestindo casaco e xale e todos a minha volta já esperavam o verão.
            Qual não foi o meu espanto no fim de Setembro, quando nas mesmas gélidas e frígidas temperaturas entre 10 e 15°C, os alemães a minha volta sacaram de seus baús coletes, casacos e xales a espera do inverno. Cheguei a conclusão de que frio é uma coisa muito relativa e que eu, vindo de um país tropical, só sinto mais frio pois estou acostumada a temperaturas mais amenas.
            Com frio nos pés, até a próxima!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Oktoberfest


O dia 3 de Outubro, um dos poucos feriados oficiais da Alemanha, é o dia oficial da união da Alemanha. No dia 9 de novembro de 89 o muro caiu e quase um ano depois, no dia 3 de Outubro as duas Alemanhas se tornaram oficialmente uma Alemanha.
Neste feriado tão sério e importante eu escrevo sobre uma coisa menos séria, mas não menos importante. A mais popular e tradicional das festas alemãs está sendo comemorada em München até o final desta semana. O Oktoberfest, a festa que tornou Blumenau um ponto turístico, também torna München o destino preferido não só de alemães, mas também de turistas.
Conhecida pelas garçonetes capazes de carregar dez quilos de cerveja em dez dedos vestidas de Dirndl, os lugares disputadíssimos nas tendas e nos Biergärten, as bandinhas e as músicas de bebedeira, a Festwiese esse ano também recebeu quem vos escreve. 


Quatro anos após a minha primeira visita à München, voltei com o único propósito de visitar a mais alemã das comemorações. Durante o primeiro dia revivi as minhas primeiras memórias germânicas. Comi comidas típicas e frutas, apontava para toda e qualquer coisa e dizia: “essa foi a primeira coisa dessas que eu vi na Alemanha em 2008!” para a minha eterna felicidade e irritação de ambos os meus companheiros. Nunca precisarei duvidar da sinceridade de sua amizade após aquelas poucos minutos entre o Haubtbahnhof e o Marienplatz...
Talvez o chilli con carne que eu fiz (seguindo uma receita da minha irmã) para almoço tenha amolecido os seus corações em meu favor. Eu tive a sorte de só ter de arrumar e cozinhar em troca de um lugar no sofá, em vez de pagar os salgados preços cobrados pelos hotéis durante as festividades. 
Sábado de manhã, às cinco e meia da manhã, antes mesmo do sol nascer, prontamente (mas muito a contragosto), pulei da cama para ir comer salsichas, Bretzeln e Lebkuchen, andar em brinquedos e (o mais importante) tomar cerveja. O teto da tenda, de um azul celeste que desmentia a previsão de chuva até às 13 horas, cobria e envolvia em calor humano os ávidos fãs do suco de cevada. E, para minha felicidade, estes fãs organizavam competições de bebidas, brindavam ao som de músicas que cantavam afinadamente e as garçonetes se deixavam fotografar. Enfim, coisas boas e positivas para deixar feliz até o menos convencido fã de tradições Kitsch.

Frohe Einheit und ein Prosit!