sábado, 22 de setembro de 2012

Kurzgeschichten I: Karlsruhe


Existe em Karlsruhe um Museu chamado ZetKaEm. Muito bem curado e instalado em uma antiga fábrica de munição, este é um museu moderno e um do meu tipo preferido de museus. Ele é interativo. Então no terceiro andar, onde estão expostos computadores, você pode brincar com um Mac2, jogar Mário Brothers ou Pong e olhar dentro da primeira calculadora eletrônica (que era do tamanho de uma sala...). No segundo andar, visitantes são incentivados a tocar em diferentes tipos de plantas e no primeiro andar existe uma rua da música, um tambor que é um sino e uma cama que toca música. Do lado de fora existe a possibilidade de ouvir música produzida por jatos d’água batendo no seu guarda chuva.
Foi exatamente nesta parte do museu que eu vivi a minha grande aventura. Saltitante, feliz e serelepe, estava eu ouvindo o primeiro movimento da sexta sinfonia de Beethoven tocar no meu guarda-chuva quando uma mulata me pergunta se eu poderia tirar uma foto dela com sua amiga. Concordo de pronto ao bater da foto percebo que os botões tem nomes em português. Eu pergunto “Da onde você é?” esperando ouvir como resposta Algarves ou Lisboa, Porto se eu tiver sorte.
“Do Rio, e você?”
“Não brica! Eu também! Da onde no Rio?”
“De uma parte meio afastada” ela diz, e eu penso Caxias ou Nilópolis. “Maricá.” Ela termina. Eu dou um pulinho de satisfação, me lembro do meu professor de Álgebra II que morava em Maricá e respondo “Eu sou de Itaipu!”.
Nós nos abraçamos, tendo encontrado uma niteroiense do outro lado do atlântico, eu descubro que ela está o mestrado, que a sua amiga alemã não fala uma palavra de português e que ela atualmente é uma advogada em Recife, que recife é linda e que eu deveria fazer uma visita. Nós também concordamos que o verão alemão deixa a desejar em matéria de calor.
Moral da história: Niterói é um ovo e o mundo é um ovo ainda menor.