Existe em Karlsruhe um Museu chamado ZetKaEm.
Muito bem curado e instalado em uma antiga fábrica de munição, este é um museu
moderno e um do meu tipo preferido de museus. Ele é interativo. Então no
terceiro andar, onde estão expostos computadores, você pode brincar com um
Mac2, jogar Mário Brothers ou Pong e olhar dentro da primeira calculadora
eletrônica (que era do tamanho de uma sala...). No segundo andar, visitantes
são incentivados a tocar em diferentes tipos de plantas e no primeiro andar
existe uma rua da música, um tambor que é um sino e uma cama que toca música.
Do lado de fora existe a possibilidade de ouvir música produzida por jatos d’água
batendo no seu guarda chuva.
Foi exatamente nesta parte do museu que eu
vivi a minha grande aventura. Saltitante, feliz e serelepe, estava eu ouvindo o
primeiro movimento da sexta sinfonia de Beethoven tocar no meu guarda-chuva quando
uma mulata me pergunta se eu poderia tirar uma foto dela com sua amiga. Concordo
de pronto ao bater da foto percebo que os botões tem nomes em português. Eu
pergunto “Da onde você é?” esperando ouvir como resposta Algarves ou Lisboa, Porto
se eu tiver sorte.
“Do Rio, e você?”
“Não brica! Eu também! Da onde no Rio?”
“De uma parte meio afastada” ela diz, e eu
penso Caxias ou Nilópolis. “Maricá.” Ela termina. Eu dou um pulinho de
satisfação, me lembro do meu professor de Álgebra II que morava em Maricá e
respondo “Eu sou de Itaipu!”.
Nós nos abraçamos, tendo encontrado uma niteroiense
do outro lado do atlântico, eu descubro que ela está o mestrado, que a sua
amiga alemã não fala uma palavra de português e que ela atualmente é uma
advogada em Recife, que recife é linda e que eu deveria fazer uma visita. Nós
também concordamos que o verão alemão deixa a desejar em matéria de calor.
Moral da história: Niterói é um ovo e o mundo
é um ovo ainda menor.