quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O espírito alemão


 Com a minha volta ao Brasil eu percebi com a Alemanha me germanizou em muito pouco tempo. Existem coisas "typisch deutsch" como comer Kraut e pão, assistir Tatort com seus amigos no domingo e planejar o seu dia antes de sair de casa. Tudo coisas que fiz, que (com exceção do Tatort) sempre fiz, então não hesitei em continuar fazendo. (Fonte dos hábitos alemães: http://venturevillage.eu/how-to-be-german-part-1)
O que estranhei é como eu agora tenho medo dos motoristas cariocas, pois dirigem muito mal. Como as coisas no Rio são caras, como tudo é atrasado e mal organizado. Como o Rio é quente. Como a cidade é barulhenta. Disso tudo eu já tinha noção antes, o contraste apenas realçou a percepção, entende?
Me surpreendeu a minha germânica aversão ao ar-condicionado, apesar do calor: como o ar fica seco e irritante às mucosas! Como o ar fica com um aroma desagradável e estranho de ar já respirado. Que zunido constante e desagradável produz a maldita máquina, como conseguirei dormir com esse barulho todo?
Eu estranhei quando na hora de contar, fiz um-dedão, dois-indicador, três-dedo do meio, quatro-anelar, como no filme do Quentin, sabe? Eu olhei para minha mão como se não fosse a minha, pois apenas alemães contam assim. Eu nunca tinha contado assim na vida! Aquilo não era de mim, era o espírito alemão baixando em mim.
O espírito alemão também me convenceu que no inverno eu só precisava lavar o cabelo a cada dois dias. Ele me ensinou a não jogar garrafa PET fora, a separar o lixo, a secar o cabelo, a usar casaco e a não andar descalça em casa. Hábitos que se mantêm no Rio, mesmo se alguns pareçam estranhos para o verão.
Demnächst: mais sobre o verão carioca. 
Derretendo e rezando por chuvas, até a próxima!

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