sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Coisas Chatas da Alemanha



A Alemanha tem muitas coisas chatas.  A maior cidade tem 2 milhões de habitantes (pouco mais do que Copacabana), a minha tem 6 mil (pouco  mais do que a minha rua). Quando eu digo que eu sou do Rio as pessoas riem, perguntam quantos habitantes o Rio tem e dizem: “E agora você está em Langensteinbach?!”. Sim, eu estou em Langensteinbach. Se eu quiser comprar o meu desodorante preferido eu tenho que andar de S-Bahn durante meia hora para ir ao dm de Karlsruhe.



Na Alemanha eu tenho que me contentar com o cheiro do aquário de água salgada para matar as saudades do mar. Na Alemanha a água é dura. Na Alemanha o pão é caro, a banana tem gosto de plástico e as tangerinas são menores do que o punho de um bebê. Na Alemanha o leite condensado é difícil de achar e tem consistência de leite, daí os brigadeiros custarem 8€ o quilo... Na Alemanha não tem farofa.





Mas é muito chato morar na Alemanha e poder comer Bienenstichkuchen em qualquer padaria. Eu me irrito profundamente com as duas lojas de Döner em Langensteinbach. Eu acho desagradável pagar 85 cents por um saco grande de Gummibärchen e nunca ter menos do que seis litros de Apfelschorle na despensa. É obscena a variedade de comida que os alemães consideram fast food. Ora, em qualquer outro país um pão com queijo e presunto é considerado normal! Eu acho errado pagar apenas 95 cents por 0,5L de Coca-Cola e receber 15 cents de volta na ocasião da devolução da garrafa. Aliás, que hábito pecuínho este dos alemães, de pagar a população para reciclar vidro, papel e plástico. 

É incomodo entrar em uma loja e sair com o guarda roupa renovado por menos de 100 euros. É uma verdadeira surpresa encontrar roupas que caibam e sejam do gosto da minha irmã. Chateia-me profundamente que Paris está a 30 Euros e uma viagem de trem de distância. Minto, 29,90€. Que enfadonho é ter de lidar com tantos dialetos alemães. Uma curiosidade irritante da Alemanha é que se eu trabalhar durante quatro noites seguidas eu posso passar os três dias seguintes com o meu irmão, pois as leis trabalhistas impediriam que eu trabalhasse durante mais horas naquela semana.

Realmente, para uma pessoa claustrofóbica, o fato de o meu irmão não mais estar separado de mim por uma viagem de avião, deve ser o fato mais azucrinante de todos.



Sem mais mau-humor, me despeço. 

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