Por
ocasião da mudança de um bom amigo meu à Berlim, comecei a fazer altos planos
de tudo o que vamos fazer no futuro próximo. Diga-se de passagem, que a maioria
desses planos nunca vai sair do papel por dois motivos: primeiro, dito amigo tem que trabalhar. Segundo: eu sofro de uma doença crônica que me impede de
sair da cama (e de casa) quando eu não sou obrigada chamada preguiça. Mas, como
é a intenção que conta, eu faço planos. Muitos planos.
Alguns
só se realizarão no futuro distante, pois requerem temperaturas um pouco menos
amenas e sol, a saber: ir nadar em Wanssee. Outras (sinceramente a grande
maioria) giram em torno de comida. O meu preferido era ir a um festival semanal
de comida de rua que conheci quando me mudei pra cá. Desde que o visitei pela
primeira vez o público mudou (muito) e inchou (a proporções insuportáveis). O que
costumava ser uma festa meio de vizinhança, meio hipster (sabe Cobal do Humaitá?) agora é uma atração turística.
Não
me leve a mal, caro leitor. Eu sou do Rio. Eu me mudei para uma cidade que é
considerada um patrimônio cultural pela ONU. Já estou acostumada a estar sempre rodeada por visitantes estrangeiros. Eu simpaticamente ensino turistas
a chegarem aos pontos turísticos procurados. Eu mesma gosto de fazer programas
turísticos. Mas eu não gosto das pessoas que fazem esses programas comigo.
Turistas, principalmente aqueles em
grupos grandes, que falam alto e fazem perguntas redundantes ao guia, são a
principal causa das minhas cólicas pancreáticas...
De
qualquer maneira, o festival de comida de rua foi abandonado por uma ida ao
rodízio de sushi. Um pouco mais caro? Sim. Mas a companhia será bem menos
exuberante. Além do mais o amiguinho e eu temos uma longa tradição de uma ida
ao rodízio de sushi para manter. Mal posso esperar!
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