O irmão da autora adora aviões. Ele conhece aeroportos,
sabe quais são as melhores rotas para voar, entende o jargão falado na
torre. Quando viaja, ele vai ao
aeroporto da cidade fotografar os aviões, um hobby muito interessante chamado spotting (as fotos dos aviões são do irmão!). Quando criança o seu brinquedo
favorito era um avião azul, durante a adolescência evoluiu para os simuladores
de voo. A autora acredita que se um dia o piloto realmente sumisse, o irmão seria
capaz de pousar o avião com o mínimo de instrução da torre e danos psíquicos aos
passageiros.
Tendo dito isto; a autora morre de medo de avião,
para eterno embaraço do irmão. Não é só de avião que a autora não gosta, dentre
os seus medos também constam: túneis, salas apertadas e/ou escuras, metrôs,
elevadores, labirintos e baratas. Não que ela seja medrosa, um dos seus sonhos
de consumo é ir fazer bungee jumping
na Nova Zelândia. Durante anos ela andou sozinha de noite pelas ruas do Rio de
Janeiro, mas toda vez que se deparava com uma barata durante essas caminhadas, berrava
que nem uma louca e saia correndo.
(Se a autora for questionada, ela dirá que avançou
muito na questão “baratas”, oras daquela vez que viu uma no corredor, em vez de
gritar histericamente para que o irmão matasse aquela criatura horrenda,
simplesmente fechou a porta do quarto e se negou a sair, apesar de estar com
sede.)
A razão para esse lero lero todo é a
seguinte: hoje eu fui à Potsdam resolver burocracias na universidade. Eu viajei
de trem, é claro. Existe algo de imensamente prazeroso ver a paisagem passar a
quase 300km/h pela janela e ao fundo ouvir o leve zunido do poderoso motor
(diesel ou elétrico??) do Inter City
Express. ICE, ice, very, extremely cool, ou seja, trens = muito bom.
Os alemães podem reclamar da Die Bahn,
realmente, os trens atrasam com extrema frequência, alguns vagões são velhos,
os trabalhadores são mal humorados e as obras são intermináveis. A isso eu
respondo, os atrasos são anunciados, você pode pedir para receber mensagens
quanto ao status do seu trem. Na maioria dos casos, se o seu trem atrasa, a sua
conexão ou uma equivalente, estará à sua espera. Alguns vagões são velhos,
alguns TRENS são velhos, mas para quem testemunha o drama que é andar de trem
na SuperVia ou tenta pegar o metrô no Rio, não se incomoda se banco do trem não
reclina. As obras são intermináveis porque essa é a definição de manutenção, e
eu prefiro construir linhas de trem a estradas, por motivos puramente pecuniários
(também, a autora não possui carteira de motorista, hem, hem).
Quanto aos trabalhadores mal humorados, não tenho
defesa. É uma espécie de alemão extremamente caricata, que não fala inglês, usa
ou um bigode enoooorme ou um coque alto (dependendo da idade ambos) e aparenta
constate pressa. Talvez isso se deva ao constate atraso da linha. Porém eu
posso dizer que eles sempre foram prestativos (mesmo que a contra gosto) quando
eu me perdia durante as minhas perambulações pela Alemanha. Se eu estou em um
fim do trem e eu pergunto a funcionária aonde está o vagão X (que eu bem sei
está no outro fim) eu sei que ela vai esperar até que eu alcance o um vagão
para permitir que a viajem prossiga. E, por fim, eu sei que trabalhar com gente
é extremamente exaustivo. Por isso eu perdoo o Schäfner que grita no meu ouvido
até eu acoradar: “FAHRKARTEN! BITTE FAHRKARTEN!!".
Assim fica fácil entender porque a "Die Bahn", como é chamada a Deutsche Bahn, é um dos empreendimentos alemães mais bem sucedidos financeiramente.
Até a próxima!


http://devoltaanavemae.blogspot.com.br/2013/02/deutsche-bahn-e-o-humor-alemao-nada.html
ResponderExcluirVi essa notícia e imediatamente me lembrei deste post! Por uns segundos eu pensei que fosse o Torben! AHAHAHAH!
ResponderExcluirhttp://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/passageiro-pousa-aviao-apos-piloto-desmaiar-na-gra-bretanha.html
uoooou!!! adorei o impacto da última frase do artigo!!! era uma história feliz, até aquele momento!!
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