domingo, 17 de novembro de 2013

Morgens wie ein Kaiser

Agora no comecinho do “horário de inverno” o sol está nascendo bem cedo, então mesmo não querendo eu acordo cedo. Sabe como é né... o quarto não tem cortinas nas janelas enooooormes e a vontade para ir na casa de móveis suecas comprar cortinas, também não dá as caras. E mesmo com cortinas eu acordaria cedo, por dois motivos. 
Primeiro eu tenho aulas às 8 da manhã de 2ª a 5ª e eu gosto de apertar o botão soneca do despertador. Além disso eu me acostumei a tomar café da manhã. Eu acordo, ligo o Wasserkocher, escovo os dentes, preparo a minha xícara de chá e a minha tigela de Müsli e volto pro quarto com o meu “desjejum”. Lá eu me envolvo no cobertor, ligo o computador e leio notícias/ ouço músicas/ ouço um capítulo de um livro/ vejo um episódio da série de ontem de noite. Depende do humor. Por exemplo: eu nunca leio notícias nas segundas...        
O esperto leitor se pergunta: por que ela perde preciosos minutos (quase uma hora inteira!) de sono com esse teatro todo? Os motivos são vários e ecléticos. Eu demoro a acordar e eu descobri que se o meu cérebro tem a chance de sentir Family Guy antes de ter que lidar com matemática, ele, muito agradecido, aceita as aulas de cálculo com menos reclamações e silêncios constrangedores.
            Segundo: eu gosto de chá preto, que tem muita cafeína, então eu não poderia tomar o meu chá de noite, antes de dormir. Eu também gosto de Buttermilch (leitelho para os que passaram pelo Alexandre Porte em Composição), uma bebida que não combina muito com o ensopado de carne no almoço, logo, outra bebida que eu tenho que tomar de manhã.  Uma bebida muita prática, pois pode ser comprada em caixinhas (tipo de toddynho) e bebida no ônibus à caminho da faculdade em dias que o botão soneca é ativado repetidas vezes...
            (A criança cresce, sai de casa, muda de continente e continua "n'O Toddynho nosso de cada dia nos dai hoje", tsctsc)
            Müsli, a minha penúltima razão para acordar cedo. O cereal matinal do Alemão, um amontoado de cereais, nozes e frutas que quando misturados com leite ou iogurte rendem uma gororoba que é, sem exageros, a epítome da alimentação humana civilizada. Ao mesmo tempo em que é crocante a sua mastigação não é estritamente necessária. Não é doce nem salgado, não dá trabalho de fazer, pode ser preparado em uma combinação quase infinita de sabores (inclusive chocolate!) e é saudável sem ter gosto de saudável (só aparência...).
            E, finalmente, a fim de me tornar realmente um indivíduo, um Mensch, eu preciso assinar um contrato social, em que eu aceito que de manhã eu comerei como um imperador, de tarde como um rei e de noite como um mendigo. Morgens wie ein Kaiser. Raramente (sexta e sábado) as minhas refeições se dão nessa ordem, e com essa riqueza.



Mas não custa nada tentar...

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